OS ESTADOS EMOCIONAIS E O CÂNCER

Publicado em 31/01/2012. Filed under: PSICOLOGIA | Tags:, , |

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Hoje escreverei sobre um assunto que parece ser como uma epidemia  se alastrando cada vez mais na vida das pessoas. E que certamente é uma doença que  provoca tanto horror às pessoas, tanto pelos seus efeitos quanto pelo estigma social de associação à morte. Seus efeitos físicos, psicológicos e emocionais são devastadores, causando desorganização na vida dos que são diretamente atingidos por ele,seja para o próprio paciente seja para a própria família. “Conforme o levantamento feito pela Organização Mundial de Saúde(OMS), o câncer é a segunda doença que mais mata, depois dos problemas cardiovasculares”. E uma série de estudos vem sendo feitos para compreender todas as questões associadas ao câncer.

Ainda segundo as informações do INCA, grande parte dos casos de câncer estão relacionados a fatores ambientais, porém sabemos que há uma enorme contribuição dos fatores psíquicos influenciando o corpo humano e, em situações adversas, produzindo o câncer e muitas outras doenças, conforme cita LeShan (apud Carvalho, 1994) “os sentimentos afetam a química do organismo (que afeta o desenvolvimento ou a regressão do tumor) assim como a química do corpo afeta o sentimento…” (pág. 279).
O câncer é o resultado de mutações genéticas induzidas nas células por vários fatores tais como vírus, radiação, substâncias químicas, etc. As células tumorais são frágeis e diferentes, tanto no seu aspecto como no comportamento que essas células tinham antes da sua transformação. A diferença essencial reside na maior capacidade de se multiplicar que a célula mutante possui em relação à célula normal.
Uma grande indústria promove livros, artigos, vídeos, leituras e palestras dedicadas à proposição de que emoções, pensamentos e atitudes positivas podem manter o câncer à distância e mesmo derrotá-lo quando ele já se instalou.
Alguns pesquisadores psicologos encontram alguns traços e agrupam-nos em uma “personalidade pró-câncer”. Outros indicam estratégias mentais para derrotar a malignidade. De fato, até alguns estudos “mente-corpo” mais radicais chegam perto de culpar os doentes, por terem falhado na luta contra a doença.
A verdade científica destas afirmações é variável. Poucos estudos científicos mostram uma relação entre fatores mentais e o início ou desenvolvimento do câncer, e outros mostram que não existe nada relacionado. Críticos, ainda, mostram que os estudos que indicam a relação entre o status emocional e o câncer são mal desenhados e mal conduzidos.
No início de 2003 foi publicado o primeiro estudo com padrão científico rigoroso, que mostrou que mulheres que passaram por momentos de stress emocional apresentam chance maior do desenvolvimento de câncer de mama. Em especial, mulheres após o divórcio ou a morte do cônjuge apresentaram chances aumentadas da doença.
Mas outros estudos com desenho científico mais adequado foram publicados posteriormente e não reproduziram estes resultados. O que sabemos é que realmente deve existir algum impacto do estado emocional na progressão da doença. Os mecanismos exatos e em que doenças a importância é maior ainda não sabemos ao certo.
O que é mais importante, porém, é que comprovadamente existe um modo em que as emoções podem aumentar o risco de câncer de forma direta: o hábito de fumar, o alcoolismo, e outros comportamentos ligados ao câncer às vezes representam uma alternativa que caminha junto com o estresse e depressão.
O paciente em estado de depressão ou estresse extremo sofre uma grande mudança nos mecanismos de defesa do organismo, com alteração significativa na função leucocitária, principalmente linfocitária, associada quase sempre com alguma doença nesse período, normalmente aguda. Isso, obviamente, ao longo de anos de angústia e sofrimento, leva o paciente a ficar suscetível ao desenvolvimento de doenças, dentre elas, o câncer.
Todos os sentimentos e emoções precisam ser respeitados e compreendidos para não se tornarem prejudiciais ao nosso corpo. A falta de sintonia com essas manifestações emocionais é que levam uma situação estressante a se transformar em um aviso do corpo, como uma dor de estômago, por exemplo. Se não dermos a devida atenção, esse sinal de alerta pode se transformar em algo mais sério como uma úlcera. E, se mesmo assim, as angústias não forem “digeridas”, entendidas, aceitas, o corpo reage com mais intensidade, “grita”, podendo surgir então o câncer.
É certo que o estado emocional também interfere diretamente no tratamento e na perspectiva de controle e cura da doença. Se a pessoa se revolta e não aceita o diagnóstico, automaticamente vai rejeitar o tratamento, acarretando obviamente um grande risco de fracasso do procedimento médico. Ao contrário, se aceita e se compromete com o cumprimento rigoroso das indicações do médico, pode mudar o resultado.
A reação é absolutamente individual e varia em função da história de vida de cada um, dos comentários que já ouviu sobre a doença, sobre como encarou a doença de alguém próximo.
Um fato é incontestável: a melhor maneira de se comportar nesse caso é encarar o problema de frente, sem se esconder dele, nem tentar disfarçá-lo. Mas, é preciso agir com serenidade para não exagerar na dose. Muitas vezes o otimista demais pode achar que a realidade é fácil, quando nem sempre é.
Claro, um diagnóstico de câncer sempre coloca as pessoas em uma situação limite e de incertezas, estigmatizadas de morte e de sofrimento. Hoje sabemos que não é bem assim, que a cada dia surgem novos tratamentos e procedimentos, modernos e menos dolorosos, que possibilitam um período maior de sobrevida e muitas vezes a cura.
A partir da experiência de ter um câncer diagnosticado, a pessoa pode começar a valorizar sua vida como nunca havia feito antes, passando a repensá-la e vivê-la como se cada minuto fosse o único, sem significar que seja o último.


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